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Conheça o IQFoil, a nova classe olímpica 2024

Pauta e edição: Heitor Marques / Revisão: Bimba

Reprodução Jesus Renedo/Sailing Energy/World Sailing @ sailing.org

O windsurf estreou nas olimpíadas em 1984, com a classe Widnglider. Em 88 passou para o modelo Lechner Divisão II, depois para o modelo Lechner A-390 em 92 e entrou na era Mistral One Design de 96 até 2004 e na era RS:X de 2008 até 2020. (Leia mais no artigo História do windsurf nos Jogos Olímpicos e a atuação brasileira)

Em novembro de 2019, antes de se imaginar que os jogos de 2020 seriam suspensos por conta da pandemia de SARS-CoV-2, já havia uma tremenda expectativa para a troca da classe RS:X, pois os atletas do mundo inteiro precisavam treinar com o equipamento que fosse selecionado. Finalmente, no dia 13 daquele mês foi anunciado que o iFoil (depois chamado de IQFoil) da Starboard tinha sido escolhido como nova classe olímpica, mas só para os jogos de 2024, mantendo ainda a RS:X em Tokyo.

O iFoil trouxe o arcabouço do que se tinha desenvolvido por muitos anos sobre foil em geral. Mas para ingressar como classe olímpica se deu pelo empenho de um time de peso com um objetivo em comum: “tornar o windsurf foil empolgante e sustentável  para as gerações vindouras.”

Para isso, nomes de peso da indústria do windsurf se reuniram como: Remi Vila e Tiesda You, shapers da Starboard, Svein Rasmussen, windsurfer olímpico e fundador da Starboard, Ben Severne da Severne Sails, Gonzalo Costa-Hoevel, atleta PWA e primeiro campeão mundial de Foil 2018, Dorian Van Rijsselberghe, duas vezes campeão olímpico na RS:X, Marina Alabau, 5 vezes campeã mundial campeã olímpica na RS:X, Aaron Mcintosh, windsurfer com experiência internacional nos mais importantes eventos de vela como o Americas Cup, além de ser o treinador do time holandês e do Dorian, e Antonio Cozzolino, velejador e articulador que conduziu a campanha do iFoil.

No Brasil já temos mais de 100 velejadores praticando foil ou IQFoil. Uma das grandes vantagens do equipamento é conseguir “voar” mesmo com pouco vento e usando uma vela pequena e leve. Lugares onde havia uma prática intensa de windsurf, mas por vezes frustrante por conta do regime predominante de pouco vento, como é o caso do Lago Paranoá, em Brasília, agora tem gente praticando e se divertindo todo dia, mesmo com apenas 8 nós de vento! Nas conversas das redes sociais, por vezes há relatos de gente que velejou com muita facilidade e já voou nas primeiras tentativas.

Reprodução starboard.com

A técnica de foil em si não é nova, há relatos da década de 40 ou até antes. Mas é impressionante como o foil tomou conta dos esportes aquáticos nos últimos 4 anos. Todas as modalidades de vela estão experimentando e evoluindo mais a cada dia. O grande segredo é que o foil diminui absurdamente o arrasto na água, a tração de resistência da água contra o equipamento, resultando em velocidade com pouco esforço. A sensação de estar “voando” também é bem diferente do que a maioria dos windsurfers estão acostumados. Especialmente os praticantes de Slalom, Formula e Raceboard, passam de sensações de muito impacto, barulho e água espirrando para todo lado para uma de estar levitando sobre a raia, sob um silêncio profundo, mas ainda assim em alta velocidade.

Heitor Marques

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Heitor Marques
Sou o BRA 450, contaminado pelo vírus da planada. Moro em Aracaju, pesquiso sobre windsurf e colaboro com a ABWS.